Represa Paiva Castro, que recebe água da bacia do Rio Juqueri
Termina a 1ª fase da obra da Estação de Tratamento de Esgoto; cerca de 400 mil pessoas vivem na região que ajudou a moldar a história industrial da cidade
Com baixo Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) e desafios históricos de infraestrutura, o bairro da zona noroeste da capital cresceu ao redor da estação de trem a partir de 1867 e, desde então, convive com dificuldades relacionadas ao saneamento. Só agora, em 2026, com a conclusão da 1ª etapa da construção da Estação de Tratamento de Esgoto (ETE), a população começa a ver chegar um dos serviços mais essenciais para a saúde pública e o meio ambiente.
Até hoje, Perus não contava com tratamento de esgoto. Todo o volume coletado era lançado diretamente no meio ambiente, impactando córregos da região e a qualidade de vida da população. A ETE faz parte do programa de recuperação ambiental do rio Tietê e seus afluentes e integra um conjunto de 42 frentes de obras executadas na capital paulista e na Grande São Paulo, incluindo novas tubulações, estações de bombeamento e ampliação de seis Estações de Tratamento de Esgoto existentes. Iniciado em 2023, o Integra Tietê reúne investimentos de R$ 17,2 bilhões e deve beneficiar 5 milhões de paulistas até o fim de 2027.
Somente no trecho de Perus, são 33 quilômetros de tubulação — o equivalente a uma fila de 6 mil carros. São redes coletoras, coletores-tronco e outras estruturas responsáveis por encaminhar o esgoto para tratamento. Nos trechos de maior desnível do território, duas estações elevatórias fazem o esgoto “subir” até os pontos mais altos do sistema.
Nesta primeira etapa, a ETE Perus passa a tratar 15 milhões de litros de esgoto por dia. “Quando a obra estiver integralmente concluída, a capacidade chegará a 60 milhões de litros por dia, alcançando cerca de 90 mil residências e aproximadamente 400 mil habitantes”, destaca o diretor de Engenharia e Inovação da Sabesp, Roberval Tavares.
A conclusão da estação ocorre ainda este ano, mas a implantação completa da infraestrutura de coleta e transporte do esgoto, garantindo que todo o bairro esteja conectado ao sistema de tratamento, seguirá em execução até 2027.
O investimento total é de R$ 651 milhões e beneficiará bairros dos distritos de Perus e Jaraguá, como Jardim Ipanema, Jardim Alvina, Jardim Marilu, Jardim Pirituba e muitos outros. O tratamento do esgoto vai reduzir a poluição da bacia do Rio Juqueri que, em seus trechos mais limpos nas regiões de Mairiporã e Franco da Rocha, abastece a represa Paiva Castro, integrante do Sistema Cantareira, responsável pelo abastecimento da Região Metropolitana de São Paulo.
Os córregos da região de Perus e Jaraguá, como Ribeirão Perus e Ribeirão Eusébio, além dos córregos dos Abreus, Bom Sucesso, Itaim e Furnas, ficarão mais limpos, contribuindo para a melhoria da qualidade de vida da população local.
Perus e suas origens – O bairro da zona noroeste da capital cresceu ao redor da estação de trem a partir de 1867. Logo chegaram empresas como a Fábrica de Pólvora, que no início da República foi uma das principais fornecedoras de munição para o sistema de defesa do Porto de Santos, além da primeira fábrica de cimento do País, a Portland Perus, palco da mais longa greve da história brasileira, entre 1962 e 1969. A tradição de lutas por condições dignas de trabalho, moradia e representação social permanece viva em grupos artísticos e culturais como o Centro de Memória Queixadas e a Comunidade Cultural Quilombaque.
Foto: Secom


